ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/09/2021

Em ‘Violetta’, seriado argentino, é contada a história de uma jovem que, após assistir um filme musical, fica inspirada e começa a explorar suas habilidades de canto e dança para alcançar o estrelato. Fora da ficção, é fato que a realidade representada pela série acontece na vida de muitos, que descobrem vocações e sonhos por meio de obras cinematográficas. Contudo, grande parte da população ainda se vê sem a oportunidade de apreciar tais produções devido a segregação do acesso ao cinema no Brasil. Destarte, é fundamental analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.

Convém ressaltar, primeiramente, a quantidade de cinemas existente no território nacional, que é especialmente baixa em zonas periféricas e pequenas cidades de acordo com dados do ANCINE. Tal situação se deve majoritariamente pela falta de investimentos na infraestrutura urbana por parte do governo e de empresas privada, que tendem a concentrar seu capital em áreas economicamente privilegiadas.

Ademais, cabe citar ainda a falta de incentivos para o consumo de conteúdo cinematográfico no Brasil. Segundo o educador brasileiro, Paulo Freire, ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens educam entre si mediatizados pelo ambiente. No caso da sociedade contemporânea, este ‘ambiente’ destacado é especialmente vasto, podendo ser, desde uma escola, até uma sala de televisão. Por tal motivo, faz-se essencial a existência de estímulos para que todos tenham acesso a estes diferentes locais, para que possam adquirir conhecimentos da forma mais abrangente possível.

Torna-se evidente portanto, a necessidade de ações que promovam a difusão do cinema no país. Desta forma, faz-se mister que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, um fundo de incentivo a construção de centros de exibição de filmes, como os existentes em 1975, para promoção da cultura em locais marginalizados. Somente assim, será possível alcançar a democratização do acesso ao cinema no Brasil, para que, como em ‘Violetta’, jovens possam se inspirar nas obras cinematográficas produzidas no mundo contemporâneo.