ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 03/09/2021
A Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 1988, assegura em seu Art. 6º o direito ao lazer como inerente a todos os cidadãos brasileiros. Conquanto, percebe-se que tal prerrogativa não é colocada com ênfase na prática quando se observa a democratização do acesso ao cinema no Brasil, o que dificulta, dessa forma, a universalização desse direito tão importante. Dado o exposto, faz-se imperioso analisar a negligência estatal e a desigualdade social como entraves para resolução do quadro.
Sob essa perspectiva, vale destacar que a desigualdade social é um dos desafios para se conseguir combater a problemática. Consoante o escritor e poeta brasileiro, Ariano Suassuna, “É muito difícil você vencer a injustiça que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Tendo isso em vista, fica evidente que a discrepância social impede a universalização do acesso à cultura no Brasil, pois nem todos têm as mesmas oportunidades. Nesse contexto, entende-se a necessidade de superar esses paradigmas.
Além disso, urge mencionar a negligência estatal como um fator que impossibilita a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Nesse sentido, é notório que o governo falha com os indivíduos quando não torna o direito ao lazer acessível para todos, o que é perceptível no país. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do filósofo iluminista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre com a sua função de garantir que a população desfrute de seus direitos indispensáveis. Faz-se mister, portanto, a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para combater tais obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, como garantidor dos direitos individuais, crie, por meio dos impostos recebidos, cinemas em áreas marginalizadas e de baixa renda, além de deixar o preço do ingresso mais acessível, com o intuito de democratizar o acesso ao cinema no país. Somente assim, se cumpriria o “contrato social”, proposto por John Locke.