ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2021
A Constituição brasileira de 1988 prevê a promoção do bem de todos sem preconceitos de origem, raça, ou qualquer outra forma de discriminação. Entretanto, não é razoável que inúmeros brasileiros sejam privados de ter acesso à cultura por meio de filmes projetados em salas de cinema. Dessa forma, entende-se que a fala de investimentos do governo no setor cultural e a elitização das salas de cinema apresentam-se como entraves para a democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Em primeiro plano, a falta de investimento do governo no setor cultural representa obstáculo para que todos tenham acesso aos cinemas. Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) expõe que esses estabelecimentos estão presentes em apenas 10% das cidades do país. Isso ocorre pois o setor cultural segue o padrão de desigualdade social nacional — no qual os grandes centros concentram poderes e serviços —, sendo assim, a pobreza em investimentos e na infraestrutura e produção cultural excluem milhares de brasileiros desse meio artístico e educacional. Dessa forma, não é razoável que o desinteresse do governo no âmbito cultural permaneça em um país que almeja tornar-se nação desenvolvida.
Em segundo plano, a elitização das salas de cinema fragiliza a inclusão de toda a população brasileira. Nesse sentido, o crescimento descontrolado das cidades concentrou esses estabelecimentos nos grandes centros urbanos, privando a população periférica e rural de usufruir dos benefícios do cinema — bem-estar, aumento do conhecimento e do vocabulário cultural —. Ocorre que ir ao cinema se torna quase impossível para as massas menos privilegiadas, devido ao alto preço de ingressos e transporte para ter acesso a uma sala de cinema, como resultado, apenas pessoas com maior poder de aquisição conseguem frequentar esses locais. Assim, a manutenção da exclusão da população periférica e rural dos cinemas representa grave retrocesso e agrava um dos maiores problemas brasileiros: a desigualdade social.
É urgente, portanto, que a democratização do acesso ao cinema se torne realidade no Brasil. Logo, cabe à Secretaria de Cultura, com gratuidade, incentivar a população a frequentar os cinemas, por meio da distribuição de vales-cultura, a fim de que todos tenham a oportunidade de ter acesso à esses estabelecimentos. Por sua vez, cabe ao Ministério da Economia, com assiduidade, oferecer incentivos fiscais aos estados para a construção de cinemas e produção cultural, com o propósito de descentralizar o parque exibidor e diminuir a desigualdade social. Dessa maneira, o Brasil se tornará uma nação que promove o bem de todos, assim como previsto na Constituição brasileira.