ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 23/09/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos -  promulgada em 1948 - assegura a todos os indivíduos o acesso à vida cultural e à arte. Entretanto, essa é uma realidade distante no Brasil, dada a pouca democratização do acesso ao cinema. Logo, a elitização dos espaços de exibição de filmes e a negligência governamental são questões relacionadas a essa problemática.

Em primeira análise, elitizar os espaços de cinema é um impasse para o seu consumo democrático. Nessa premissa, as ciências geográficas trazem o conceito de gentrificação, processo pelo qual o espaço urbano sofre remodelação de modo a se transformar em locais nobres. Dessa forma, os espaços gentrificados, como a instalação de cinemas em shopping centers, reforçam a segregação sociocultural, pois são locais que exigem alto poder de compra; sendo criados  para serem frequentados por um determinado grupo social. Assim, pessoas pouco privilegiadas financeiramente terão pouco ou nenhum acesso à cultura cinematográfica.

Outrossim, a negligência governamental é outro fator para a dificuldade na efetivação desse direito. Consoante a isso, o filósofo Jhon Lock traz sua contribuição ao conceber a importância da institucionalização da lei. Tal ato ratifica o empenho do Poder Público em garantir os direitos da população, como o acesso aos bens culturais. No entanto, a falta de uma reação interventiva do Estado para o cumprimento da lei, como a Lei Rouanet - a qual motiva o acesso às artes -  reforça a exclusão social ao cinema.

Portanto, é imprescindível intervir sobre o problema. Para isso, o Estado deve implementar políticas públicas de engajamento das diversas camadas sociais ao cinema, a fim de aproximá-las dessa forma de entretenimento, além de assegurar um direito básico. Isso pode ser feito por meio de programas de fomento ao cinema popular, com exibições de filmes em praças, metrôs e escolas para atingir mais pessoas. Ademais, é preciso primar para a não negligência estatal e fazer valer a lei Rouanet. Dessa maneira, será possível lidar com a pouca democratização ao cinema.