ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 30/09/2021

A Constituição Federal vigente no Brasil, prevê o acesso ao lazer como direito inerente a todo cidadão. Entretanto, a elitização crescente do cinema no país, não corrobora tal premissa. Dessa forma, é necessário analisar as causas e consequências dessa problemática para ser possível combatê-la.

Primordialmente, é possível notar a tendência brasileira de priorizar a infraestrutura de áreas populadas por classes sociais altas, que não é contemporânea. Ou seja, no século em que a coroa portuguesa chegou ao Rio de Janeiro, o local recebeu diversas melhorias e construções, enquanto no nordeste do país, muitos passavam fome. Da mesma maneira, apenas 10% das cidades do Brasil contam com uma instalação de cinema, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ao mesmo tempo que o restante da população segue à margem sem acesso à essa opção de lazer. Analisando os pontos anteriores, é notável que a má distribuição de infraestrutura no país não foi superada.

Além disso, nas cidades em que cinemas estão presentes, grande parte da população não consegue pagar os elevados preços cobrados pelos ingressos, e dessa forma, os menos abastados financeiramente seguem excluidos. A falta de acesso à arte cinematográfica pelas classes sociais baixas confere falha do Estado em cumprir com o contrato social proposto pelo pensador John Locke, que afirmava ser dever governamental suprir as necessidades de seu povo.

Depreende-se então a necessidade de superar os pontos citados. Cabe ao gorveno promover um censo para identificar áreas carentes de salas de cinema, e juntamente com os Ministérios do Lazer e da Infraestrutura, planejar e construir esses locais de diversão necessários para a população. É necessário também estabelecer um preço popular de entrada, como o projeto do Bom Prato em São Paulo, que cobra apenas um real por uma refeição. Dessa maneira, eventualmente o acesso ao cinema será possível para todo cidadão brasileiro.