ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 03/10/2021
Segundo o sociólogo brasileiro Betinho, um país não muda pela sua economia, política ou ciência, mas sim, pela cultura. No entanto, o cenário nacional se encontra distante do proposto pelo pensador, uma vez que a cultura é restrita no país, manifestando-se, por exemplo, pelo cinema. Por conseguinte, compreende-se que não há democratização do acesso ao cinema no Brasil devido a má distribuição desses estabelecimentos e o alto custo para se frequentar os mesmos. Dessa forma, entende-se isso como uma problemática que necessita ser solucionada.
Diante desse cenário, é necessário entender como a falta de infraestrutura se constitui como um obstáculo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 10% das cidades brasileiras possuem pelo menos uma sala de cinema, ademais, estes se encontram concentrados nos grandes centros e zonas de maior renda, não abrangendo cidades pequenas ou áreas periféricas. Com isso, a desigualdade de disposição desses estabelecimentos se condiciona como um desafio para os interessados em consumir esse tipo de atração cultural. Portanto, a falta desse serviço por estruturas fisícas agrava tal situação.
Não obstante a isso, a Constituição Federal de 1988 assegura os direitos culturais para o povo brasileiro. Porém, os altos custos dos ingressos também são nocivos para a popularização do cinema, o que elitiza tal atividade. Por conseguinte, mesmo que ações, como meias entradas para estudantes, já tenham sido desenvolvidas, elas não atingiram a população geral, desestimulando o frequentamento desses espaços por pessoas de baixa renda. Logo, fatores econômicos também são um afronte para a alcançabilidade desses estabelecimentos.
Em suma, a falta de prédios para a exibição de filmes, assim como seus altos custos impossibilitam a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Assim, cabe a maiores instâncias, como ao Ministério da Cultura, por meio de projetos de lei e apoio financeiro de empresas privadas, a construção de salas de cinemas em zonas periférias e interioranas, assim como a extensão de programas que barateiam a entrada para estes, e em alguns casos a isenção do pagamento. Dessa maneira, as idealizações de Betinho serão realizadas, e o acesso à cultura por meio dos cinemas será o primeiro passo.