ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/10/2021

A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a carência de acesso ao cinema pela população, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a ausência de salas de cinema em 90% das cidades do brasileiras, dado levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse sentido, grande parte da população no Brasil carece do acesso à arte cinematográfica. Essa conjuntura, segundo as ideias do filosófo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o lazer, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar os elevados preços dos ingressos para o cinema como impulsionador da elitização do acesso ao lazer no Brasil. Diante de tal exposto, é claro que mesmo nas cidades que contam com salas de exposição cinematográfica, muitos habitantes não possuem verba financeira para desfrutar desse divertimento. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se identificar esses objetivos. Para isso, é imprescindível que o governo brasileiro, por intermédio de leis e projetos, construa salas de cinema em cidades necessitadas e estabeleça preços acessíveis para população menos abastada, a fim de democratizar o acesso ao cinema no país. Assim, se consolidará uma sociedade mais igualitária, onde o Estado desempenha corretamente seu papel no “contrato social”, como afirma John Locke.