ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/10/2021
O livro “A Rainha Vermelha”, de Victoria Aveyard, retrata uma sociedade altamente estratificada, na qual as castas inferiores não podiam frequentar os ambientes destinados aos nobres. Assim como na obra abordada, observa-se que, na atual conjuntura brasileira, devido às discrepâncias sociais marcantes, há uma restrição a locais, como os cinemas, para os menos abastados, já que são financeiramente incapazes de frequentá-los. Nesse sentido, é preciso salientar que a democratização do acesso às telas é inviabilizado devido à ausência de atuação efetiva do governo, o que impede o exercício pleno, da população como um todo, a seus direitos.
Sob tal viés, cabe notar, primeiramente, que a Constituição Cidadã assegura aos brasileiros o direito igualitário ao lazer. É perceptível, no entanto, que as desigualdades sociais existentes no país resultam, consequentemente, no impedimento do acesso de todos os estratos da sociedade às salas de cinemas. Desse modo, graças aos fatos supracitados, os financeiramente desfavorecidos são impedidos de usufruir de seus direitos, diferentemente dos ricos, por não poderem bancar os ingressos, devido aos seus valores abusivos. Dessa maneira, fica claro que, em um país onde a entrada para um filme custa caro somente para parcela da população, nem todos poderão se dar ao luxo de gozar desse privilégio.
Além disso, ressalta-se que há, no Brasil, uma evidente inobservância por parte do Estado, fomentando esse problema. Nesse contexto, é possível referenciar o conceito de Instituição Zumbi, de Zygmunt Bauman, que se refere a órgãos que, apesar de existirem e, teoricamente, serem funcionais, não cumprem com seu papel, desencadeando problemas sociais. Desse modo, é notório que, analogamente, o governo brasileiro, por não agir devidamente, acaba perpetuando essa situação, impedindo que somente parte do povo possa usufruir de todas as possibilidades de lazer. Logo, é evidente que, sem atuação estatal ativa, o acesso democrático aos cinemas fica impossibilitado.
Portanto, podemos concluir que medidas são necessárias para resolver os problemas discutidos. Por esse motivo, cabe ao Estado, responsável pela população sob sua tutela, promover o acesso igualitário aos cinemas e investir no setor de lazer, em conjunto com o Ministério da Cultura. Essa ação pode se concretizar por meio da criação de vales culturais atrelados à renda, permitindo que indivíduos dos setores mais pobres da sociedade também possam frequentar esses ambientes, e da construção de cinemas públicos, onde os valores dos ingressos sejam proporcionais à capacidade financeira da população. Espera-se, com essas medidas, que a acessibilidade desigual possa finalmente ser superada, distanciando a realidade brasileira de cenário fantasioso literário.