ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/10/2021
Em “O quarto de despejo”, de Carolina de Jesus, um dos personagens conduz uma iniciativa para levar o cinema às regiões mais carentes, por meio de um projetor particular que ele leva em seu carro e utiliza para transmitir filmes para os moradores. Embora seja uma obra ficcional, o livro apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, a falta de consideração com as parcelas mais pobres da população tem contribuído para o distanciamento desses. Por isso, torna-se necessário o debate acerca da democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Primeiramente, é notável que o acesso a esse meio de culturalização tem decaído com o tempo. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, apenas 10% dos municípios brasileiros comportam ao menos um cinema em seu território. Isso ocorre porque o processo de crescimento horizontal das cidades, em que o centro concentra as principais instalações e dificulta o acesso daqueles que moram nas periferias, centraliza a demanda e exclui aqueles que vivem em regiões distantes. Dessa forma, o descaso com as populações carentes torna-se uma imposição para as relações sócio-culturais.
Outrossim, o indivíduo é movido por incentivos. Conforme o conceito do economista austríaco Ludwig Von Mises, é possível entender o que ocorre na sociedade que induz o mercado a focar apenas nas regiões centrais das cidades. Dentro do contexto econômico, as empresas são induzidas a preferir locais onde a demanda se concentra, já que assim há uma maior possibilidade de lucro. Sendo assim, a tendência é de que a situação continue a se agravar com o aumento da população em locais distantes do centro. Evidencia-se, portanto, uma tendência a excluir aqueles que não se encontram no grupo de interesse.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Congresso Nacional deve formular leis que definam uma cota mínima de cinemas por cidade, por meio de descontos e recompensas às empresas que se dispuserem, a fim de frear a exclusão das parcelas mais pobres da população. As escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de seminários, com a participação de trabalhadores da área da cultura, que debatem acerca da importância da inserção do meio cultural na sociedade. Feito isso, o conflito vivenciado no livro não se tornará realidade.