ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 20/10/2021

Na comédia nacional “Tapete Vermelho”, a família pobre de Quinzinho parte em uma aventura em busca de um cinema, inexistente em sua cidade, para ver uma produção de Mazzaropi. Analogamente, fora da ficção, muitos brasileiros encontram dificuldade para acessar esses locais. Nesse sentido, a democratização do acesso ao cinema no Brasil é um tópico de debate urgente, uma vez que, apesar de ser essencial para a formação do indivíduo, sofre um grande descaso pelo governo.

A princípio, o consumo de filmes tem papel fundamental na construção de caráter. Segundo Erik Erikson, o ser humano está em constante transformação e, ao longo da vida, elementos pessoais, interpessoais e culturais participam desse desenvolvimento. A partir dessa perspectiva, as obras cinematográficas - como sendo manifestações de cultura - se enquadram como fator indispensável para que se adquira o autoconhecimento. Portanto, a possibilidade de acesso a cinematografia é também uma porta para a formação identitária dos cidadãos.

Por outro lado, a atuação do Estado na resolução da problemática tem sido ineficiente. Conforme informações da Ancine, a distribuição territorial das salas de reprodução audiovisual é completamente desigual. O que se percebe é uma maior concentração nas regiões mais abastadas do país, enquanto a parcela mais empobrecida da população é deixada à margem. Dessa maneira, entende-se que os órgãos governamentais estão sendo incapazes de sanar as diferenças socioespaciais nesse quesito.

Em suma, vê-se a necessidade de intervenção em busca de tornar os cinemas mais acessíveis. Assim, cabe ao Governo Federal, por meio de um aumento de verbas aos Estados, promover a criação de salas de filmes em regiões que não as possuem - seja dentro de shoppings e/ou em ruas bem movimentadas. Com isso, o objetivo é popularizar esses estabelecimentos de forma que situações como a de Quinzinho possam ser facilmente resolvidas.