ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 25/10/2021
No filme brasileiro “O Auto da Compadecida”, a trama tem início a partir do deslumbre do povo sertanejo com a chegada de um cinema na cidade, firmando a importância do acesso à cultura para a sociedade em geral. Fora da ficção, no Brasil, a realidade mostra-se um tanto diferente: milhares de pessoas nunca tiveram contato com um cinema, seja por estarem afastadas de grandes centros urbanos ou por condições financeiras limitadas, configurando assim um problema a ser solucionado. Por conseguinte, cabe a discussão sobre a influência histórica do processo de ocupação do território brasileiro, bem como as práticas mercantilistas que tornou o acesso ao cinema cada vez mais elitizado.
A priori, os processos de ocupação do território brasileiro, desde o inicio de sua colonização, configura-se como uma das principais causas do problema em questão, visto que uma grande parte das regiões interioranas apresentam uma discrepância quanto ao desenvolvimento econômico, o qu favorece, portanto, a desigualdade da população à bens de consumo. Nesse cenário, regiões como Norte e Nordeste sofrem com o baixo escasso acesso a conteúdo cinematográfico, segundo dados da ANCINE (Agência Nacional do Cinema), deixando claro os prejuízos gerados pelo tipo de ocupação territorial nesse âmbito de desenvolvimento do país.
Outrossim, as disparidades socioeconômicas são um impasse para tornar o cinema democrático em todo o território nacional. Nesse contexto, filósofos da Escola de Frankfurt desenvolveram a teoria da Indústria Cultural, como uma associação dos bens de cultura com o capitalismo, o que, consequentemente, restringe o acesso de boa parte da sociedade desfavorecida economicamente, Paralelamente ao histórico o processo de ocupação territorial brasileiro, é indubitável que o falho investimento nas regiões interioranas e do sertão, em conjuntura a desigualdade socioeconômica, afeta negativamente o acesso a arte do cinema e da cultura.
Portanto, é notório o quanto as heranças históricas e a desigualdade social têm somado para a falta de democratização do cinema no Brasil. Logo, cabe ao governo federal, juntamente aos estados e municípios, por meio de um incentivo fiscal, estimular a criação de salas fixas de cinema em regiões afastadas de grandes centros urbanos, assim como salas itinerantes, que possam circular em regiões de difícil acesso e nos sertões, alem de um programa publico coletivo que facilite a acessibilidade da população de baixa renda. Assim, impulsionaríamos a equidade dos acesso ao cinema no Brasil, incluindo todos no acesso à cultura e democratização, tornando a ficção da obra de Ariano Suassuna uma realidade palpável em todo o Brasil.