ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Mário Quintana tece um feroz anseio aos intangíveis caminhos de pedra que preconizam uma sociedade harmônica em “Das Utopias”. É possível observar uma perspectiva utópica no acesso ao cinema no Brasil uma vez que essa apresenta barreiras para que a cidadania seja gozada de maneira plena, tornando-se uma quimera. Nesse contexto, percebe-se uma configuração de um problema complexo, que se enraíza na carência informacional e na discriminação configurada a partir da desconstrução coletiva.
É importante ressaltar, em primeiro plano, de que forma a restrição às salas de cinemas permitem a disparidade cultural no corpo social. Isso ocorre em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob esse âmbito, a carência de caráter erudito usufrui dessa vulnerabilidade e, mediante a pífia diretriz governamental que norteia a ignorância, limita, assim, o modo de pensar dos cidadãos. Em meio a isso, uma analogia com a educação libertadora proposta por Paulo Freire mostra-se possível, uma vez que o pedagogo defendia um ensino capaz de estimular a reflexão e, dessa forma, libertar o indivíduo da situação à qual encontra-se sujeitado - nesse caso, a manipulação.
Além disso, uma comunidade que restringe o deslocamento dentro do espaço urbano, por meio do custo da passagem, representa um retrocesso para a coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, na teoria da percepção do estado da sociedade, de Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, com a disponibilidade de ir ao cinema mediada pelo preço - que não leva em consideração a renda regional -, uma democratização torna-se inviável.
Portanto, faz-se necessário uma intervenção. Para a conscientização da população brasileira a respeito desse estorvo, urge que o Ministério da Cultura, por intermédio de verbas governamentais, ofereça adjutório ao Ministério da Educação, debates e seminários escolares, voltados à inclusão de problematizações e à criação de reformulações de conscientes, alusivo à proteção e sobre-eminência do livre e inclusivo acesso aos recintos de arte cinematográfica - a fim de ampliar nos jovens os interesses por opiniões diferentes. Posto isso, será superado o lapso cultural e recreativo, no cerne à inclusão dos cinemas e assim, observar-se-á um Brasil não mais análogo à trama utópica.