ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Em 1922, a Semana de Arte Moderna, principal manifestação artística brasileira no século XX, atuou como uma forte atração revolucionária por romper com os padrões de arte vigentes na época. Atualmente, o âmbito cultural ainda introduz diversas mudanças para a sociedade, no entanto, o Brasil enfrenta diversos problemas em perpetuar os conhecimentos da massa popular acerca da cultura, dentre eles, o acesso ao cinema. Tais problemáticas se caracterizam majorietariamente por questões econômicas e socioespaciais.

Diante disso, é importante destacar que, embora a Constituição Federal de 1988 assegure o direito igualitário dos cidadãos no alcance à cultura, na realidade atual, torna-se notório a transgressão por parte dos governos no que se diz respeito ao discurso promulgado. A partir desse viés, segundo o IBGE, em 2019, apenas 17% da população brasileira frequentava as salas de cinema. Isso se deve, principalmente, ao contexto contínuo de crise no país, uma vez que os custos dos ingressos para poder entrar nesses locais não conseguem incluir a camada mais frágil economicamente, que tendem a direcionar mais da metade dos seus salários apenas à alimentação e moradia. Dessa forma, o acesso ao mundo cinematográfico para essas pessoas se torna desconsiderável e, consequentemente, um privilégio aos habitantes de classe financeiramente superior.

Além disso, a centralização urbana é um fator essencial que contribui para a falta de democratização nesses locais. Seguida pelo êxodo rural, a industrialização construiu, ao longo dos anos, muitas cidades sob uma perspectiva elitista. Segundo o autor Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, a segregação é uma característica da sociedade brasileira. Sob essa ótica, a principal concentração das salas de cinema em centros comerciais, como os shoppings, localizados em áreas mais nobres, e a locomoção das famílias de baixa renda para que possam assistir às exibições nas telonas, denunciam nesses espaços, a desigualdade geográfica da população.

Tendo em vista os fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham ampliar a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Portanto, urge que o Estado, em figura do Ministério da Cidadania, promova campanhas de incentivo ao desenvolvimento cultural no país, construindo centros de exibição nas áreas de baixa renda e proporcionando direitos de descontos nos valores de ingressos para a população carente, por meio de verbas governamentais, a fim de assegurar o direito dos cidadãos no que se diz respeito ao lazer e bem-estar. Dessa forma, talvez, os brasileiros estejam distantes da evidência segregacionista de Sérgio Buarque.