ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 02/11/2021

No artigo sexto da Constituição Federal Brasileira, o lazer é declarado um direito social. No entanto, no cenário hodierno, não se verifica a plenitude dessa garantia no que concerne ao acesso aos cinemas no país, visto que não há uma democratização dessa prática. Esse cenário nefasto ocorre não só devido à primazia de interesses financeiros na sociedade, mas também em decorrência da negligência estatal e escolar para com esse direito inalienável do acesso ao lazer. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar o problema.

Em primeiro plano, pontua-se a contribuição da prevalência de interesses econômicos para com a manutenção do problema. Para o sociólogo Zygmunt Bauman, os valores da sociedade têm sido colonizados pela lógica de mercado. De fato, o acesso ao cinema encontra-se pouco ampliado porque o mercado cinematográfico interessa-se, grande e majoritariamente, pela arrecadação monetária, arregimentando grandes lucros, tornando o cinema inacessível ao público menos privilegiado economicamente, haja vista os preços dos ingressos. Evidencia-se, portanto, que a restrita ida aos cinemas relaciona-se com o interesse financeiro sobreposto aos aspectos sociais, culturais e econômicos da sociedade.

Em segundo plano, a negligência do Estado e das escolas para com o problema dificulta sua solução. Para a escritora Djamila Ribeiro, o silêncio é cúmplice da violência. Nesse sentido, as instituições escolares, responsáveis pela formação de cidadãos, não têm incentivado e fomentado a valorização aos cinemas, teatros e demais espaços públicos culturais e, mesmo que, por vezes, colégios promovam a ida a esses locais, ainda há uma lacuna no que concerne à demonstração da importância de frequentar esses ambientes, como o cinema, para a construção cultural do cidadão. Ademais, o Estado não promove a valorização desses locais,  nem tampouco incentiva sua visitação. Assim, esse silenciamento não democratiza tal acesso.

Portanto, convém que esse cenário seja transformado. Para tanto, faz-se necessário que o Estado, por intermédio de projetos de lei e de regulamentações, promova o acesso democrático e amplo aos cinemas de todo o país. Tal dever-se-á dar pela destinação fixa de uma porcentagem de ingressos, de forma mensal, a comunidades carentes e a escolas, com a finalidade de assegurar o acesso ao cinema por parte da população menos privilegiada socioeconomicamente. Além disso, o Estado, por meio da destinação de recursos, deve financiar a divulgação de campanhas fomentadoras da frequentação dos cinemas por parte da população. Por assim fazer, espera-se a plenitude do direito ao lazer em todo o território nacional.