ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 - assegura a todos os indivíduos o acesso à vida cultural e à arte. Entretanto, essa é uma realidade distante no Brasil, dada a pouca democratização do acesso ao cinema. Logo, a elitização dos espaços de exibição de filmes e a negligência governamental são questões relacionadas a essa problemática.
Em primeira análise, elitizar os espaços de cinema é um impasse para o seu consumo democrático. Nessa premissa, as ciências geográficas trazem o conceito de gentrificação, processo pelo qual o espaço urbano sofre remodelação de modo a se transformar em locais nobres. Dessa forma, os espaços gentrificados, como a instalação de cinemas em shopping centers, reforçam a segregação sociocultural, pois são locais que exigem alto poder de compra; sendo criados para serem frequentados por consumidores com poder aquisitivo elevado. Assim, pessoas pouco privilegiadas financeiramente terão pouco ou nenhum acesso à cultura cinematográfica.
Outrossim, a negligência governamental é outro fator para a dificuldade na efetivação desse direito. Consoante a isso, o filósofo John Locke traz sua contribuição ao conceber a importância da institucionalização da lei. Tal ato ratifica o empenho do Poder Público em garantir os direitos da população, como o acesso à vida cultural representada, nessse caso, pelo cinema. No entanto, a falta de uma ação mais efetiva por parte do Estado para o cumprimento da lei, a exemplo da Lei Rouanet - a qual motiva o direito às artes - reforça a exclusão social à cultura do cinema.
Portanto, é imprescindível intervir sobre o problema. Para isso, o Estado deve implementar políticas públicas de engajamento das diversas camadas sociais ao cinema, a fim de aproximá-las dessa forma de entretenimento, a qual é, por si só, um direito básico; já que a arte contribui para a formação social do indivíduo. Isso pode ser feito por meio de programas de fomento ao cinema popular, com exibições de filmes em praças, metrôs e escolas para atingir mais pessoas. Ademais, é preciso primar para a não negligência estatal e fazer valer a Lei Rouanet. Dessa maneira, será possível lidar com a pouca democratização ao cinema.