ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2021
‘‘O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim’’, esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política ‘‘Ordem e Progresso’’, exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário nefasto vivenciado no país representa uma antítese a máxima do símbolo pátrio, uma vez que a inacessibilidade do cinema no Brasil - grave problema a ser enfrentado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência governamental, como a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela. Em uma primeira análise, vale ressaltar a negligência governamental como uma das causadoras do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, lazer é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que todos os cidadãos tenham o acesso garantido ao cinema. No entanto, infelizmente o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento ocorre pela inércia do Poder público em tomar providências diante dessa problemática de lazer inalcançável para determinadas camadas sociais. Portanto, é inadmissível a ineficácia do Estado em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.
Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso ocorre pela imobilização social diante do problema, que não é visto como direito previsto na lei pelas massas sociais. Na obra ‘‘Modernidade Liquida’’, Zygmount Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, cada vez o óbice do não-acesso ao lazer vem sendo ignorado, resultando em uma desigualdade contínua. Assim, essa liquidez influi na questão da recreação da população, funcionando como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, faz-se mister que sejam tomadas providências para o combate desses obstáculos. Para isso, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Cidadania, promova a distribuição gratuita de ingressos para o entretenimento audiovisual nos estabelecimentos públicos para as camadas comprovadamente médias e pobres da sociedade, a fim de que todos tenham o acesso democratizado a esse direito. Assim, tornar-se-à possível uma sociedade permeada nos elementos elencados na Magna Carta.