ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2021

No fim do século XIX, a Segunda Revolução Industrial trouxe o advento de novas tecnologias, possibilitando o surgimento do cinema como uma forma de entretenimento para a população. No Brasil hodierno, entretanto, essa concepção não se faz presente na realidade, uma vez que as salas de filmes ficam restritas à população com maior poder financeiro, configurando-se um quadro preocupante para o país. Isso se evidencia não só pela desigualdade social, como também pela concepção capitalista.

Nessa perspectiva, nota-se a disparidade econômica como impulsionadora do impasse. Acerca disso, o escritor Ariano Suassuna defende a existência de uma injustiça secular capaz de dividir a nação brasiliana em duas vertentes: a dos favorecidos e a dos despossuídos. Sob essa lógica, a parcela populacional que se encontra no grupo desfavorecido não frequenta os cinemas em razão do baixo poder financeiro, que não foi possibilitada, muitas vezes, em função da pouca escolaridade, por ter vindo de família humilde, abandona a escola para ajudar os país, impedindo, assim, a sua ascensão social que o permitisse desfrutar desse privilégio, o que, por fim, ocasiona, infelizmente, a segregação social desse grupo social.

Além disso, destaca-se a mentalidade capitalista como propulsora do empecilho. Segundo Buda, fundador do budismo, um homem será tolo se alimentar os desejos pelos privilégios e lucros, pois tais desejos não trazem felicidade, pelo contrário, apenas trazem sofrimentos. Tal assertiva reflete o cenário atual, uma vez que o modelo socioeconômico vigente faz com que a sociedade, muitas vezes, busque incessante pelo ideal de lucratividade, em que há a sobreposição de interesses lucrativos em detrimento do bem-estar coletivo, condicionando o indivíduo a direcionar seus esforços para atividades que dêem retorno financeiro, como o caso é da instalação de salas de cinemas nas áreas urbanas, marginalizando, assim, a população das regiões interioranas que ficam sem esse aparato cultural.

Urge, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve o cinema no Brasil. Nesse viés, o Poder Executivo, responsável pela harmonia social, deve elaborar políticas públicas efetivas com vista na criação de programas social que busque a inserção desse grupo nos cinemas, de forma a democratizar esse direito aos setores mais carentes da sociedade, por meio de replanejameto orçamentário, com o intuito de que mais brasileiros possam usufruir dessa importante ferramenta de entretenimento. Ademais, o governo deve propor parcerias com empresas de comunicação para que veiculem informativos que retratem sobre a importância de tornar o cinema acessível para todos, com fito de mitigar o revés que atinge a população. Espera-se, com isso, reverter essa conjuntura e, assim, alcançar os ideais da Revolução Industrial na sociedade