ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/11/2021
Stefan Zweig escreveu, em 1945, o livro " Brasil, um país do futuro". Entretanto, hodiernamente, a pátria está muito longe de corresponder a tal imagem, uma vez que a possibilidade de ir ao cinema é privada para as classes com maior poder aquisitivo. Nesse contexto, isso ocorre pela ausência de políticas públicas para a democratização desse tipo de lazer, além das desigualdades socioeconômicas.
Diante disso, é importante destacar a inaptidão dos administradores públicos como acentuadora da problemática. Nesse sentido, é válido trazer o discurso de John Locke, filósfo iluminista, que diz que o ser humano abre mão de sua liberdade para possuir direitos, contudo, quando essas prerrogativas não são contempladas, há uma quebra do chamado “contrato social”. Sob esse viés, o Ministério da Educação -MEC-, que atualmente é responsável também pela cultura, é falho ao não promover medidas que possam coletivizar o acesso a cinematografia, como o subsídio do Estado para seções exclusivas para pessoas de baixa renda. Por conseguinte, conforme a Agência Nacional do Cinema -ANCINE-, proporcionalmente, o país é apenas o 60° em salas de cinema, e o 5° em valor de ingressos. Logo, verifica-se a necessidade de ações dos órgãos públicos para tornar o cinema mais democrático.
De modo complementar, os abismos sociais na terra Tupiniquim são mais um empecilho para o progresso. Nessa perspectiva, o célebre escritor brasileiro, Ariano Suassuna, diz: “O que é muito díficil é você vencer a injustiça secular que dilacera o Brasil em dois países distintos, o dos privilegiados e o dos despossuídos. Assim sendo, o baixo poder aquisitivo de milhões de famílias impedem que essas pessoas consigam alcançar o lazer, seja por altos preços dos ingressos ou por dificuldade de locomoção, visto que grande parte das salas de cinema estão em localidades privilegiadas.Portanto, observa-se que as grandes diferenças econômicas excluem uma elevada parcela da população.
Em síntese, constata-se que ações são precisas para reverter esse cenário. Destarte, o MEC deve, por meio de projetos sociais, providenciar o acesso à cinematografia para todos os indivíduos do país. Por exemplo, destinação de recursos públicos para o aluguel de salas de cinema abertas ao público. Por fim, o ato tem a finalidade de tornar o lazer alcançavel para todos. Ademais, o MEC carece, por intemédio da criação do programa Bolsa Lazer, oferecer uma quantia mensal para as famílias de baixa renda para que possam usar esse dinheiro exclusivamente para o lazer. Desse modo, os recursos tem de ser disponibilizados em forma de cartão e serem aceitos em estabelecimentos que ofereçam opções de cultura, como o cinema. Em suma, a medida é estabalecida com o intuito de que o baixo poder econômico não seja mais um empecilho para a ida ao cinema.