ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2021

A Constituição Federal de 88, em um de seus artigos, preconiza o direito do cidadão em ter acesso às diversas formas de cultura e lazer, dentre elas, o cinema. Contudo, na realidade brasileira, esse acesso não ocorre de maneira eficaz, levando a falta de democratização do cinema no país e a ocorrência de um grave problema. Dentre as causas dele está a concentração dos cinemas em áreas elitizadas e a falta de ensino nas escolas sobre a importância da Sétima Arte.

Primeiramente, é importante ressaltar que, por conta de mundanças ocorridas no século XXI, as salas de cinemas fixaram-se em “shopping centers” - localizados em áreas nobres -. Por conta desse fator, as inúmeras pessoas de baixa renda que residem nas periferias não têm condições financeiras para deslocarem-se a esses locais elitizados, visto que são distantes e os valores dos ingressos são caros. Consequentemente, esses indivíduos ficam às margens da sociedade por não terem acesso a essa importante arte que representa privilégio de toda pessoa, como orienta a Constituição Cidadã. Nesse sentido, o escritor Gilberto Demenstein em sua obra “Cidadania de Papel”, mostrou que os direitos dos cidadãos permanecem na teoria. Assim, é evidente que diante do panorama conflituoso, as pessoas tornam-se cidadãos de papel por não terem de forma democrática o acesso aos cinemas.

Segundamente, falta nas escolas brasileiras um ensino que transmita aos seus alunos a importância do meio cinematográfico. Nessa perspectiva, Émille Durkheim afirmou que a escola é um principais locais de aprendizado, por conseguinte, faz-se necessário que elas ensinem sobre o cinema para seus alunos. Porém, de acordo com a grade curricular exposta pelo Ministério da Educação, não há a presença do ensino dessa arte na programação, fazendo com que as pessoas não tenham conhecimento sobre a importância do cinema e nem busquem frequentá-lo, agravando o problema. Desse modo, é evidente que a escola é instrumento de perpetuação da problemática supracitada.

Depreende-se, portanto, medidas que visem mitigar o impasse pela falta de democratização do cinema no Brasil. Em primeira análise, o Ministério da Cultura, mediante parceria com o Ministério de Infraestrutura, deve criar salas de cinema nas regiões periféricas - com a adoção de ingressos com preços acessíveis -, para que a população de baixa renda tenha pleno acesso ao cinema. Ademais, as escolas, por ser importante local de ensino como afirmou Durkheim, deve incluir o ensino sobre o cinema, a fim de que os seus alunos tornem-se cidadãos que conheçam a importância desse meio artístico e possam frequentá-lo. Logo, além de minimizar o problema, terá na prática o que aconselha a Magna Carta brasileira, evitando a presença de “cidadãos de papel” como afirmou Demenstein.