ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Em 2019, o lançamento do filme “Bacurau” levou a primeira experiência cinematográfica para vários brasileiros no interior do Nordeste. Tal obra evidenciou, no país, como essa área da cultura não é acessada de forma democrática. Com isso, percebe-se a configuração de um delicado problema, que se enraíza na inoperância governamental e na falta de infraestrutura.

Diante desse cenário, é necessário destacar como causador do impasse a insuficiência estatal. Nessa ótica, a Carta Magna de 1988 prevê para todos os cidadãos alcance à cultura e ao lazer. Contudo, o precário acesso ao cinema vai de encontro com a Constituição brasileira, visto que essa área da arte é uma das maneiras de exercer esses direitos. Logo, enquanto esse contexto não democrático continuar, o governo estará cada vez mais longe de executar seu papel administrativo e jurídico.

Além disso, outro fator presente na questão é a precária distribuição das salas exibidoras de filmes no Brasil. Sobre isso, a filósofa Hannah Arendt defende que o espaço público deve ser preservado para que se assegure as condições da prática e da manutenção da cidadania. Ou seja, sem uma infraestrutura pública indivíduo é prejudicado. Seguindo essa perspectiva, os cinemas brasileiros estão concentrados nos grandes centros urbanos, o que impede pessoas que vivem em pequenas cidades e no interior de usufruir da sétima arte. Assim, investir na infraestrutura desses locais garantirá o pleno exercício dos direitos do cidadão.

Portanto, é indispensável amenizar o quadro atual. Para tanto, cabe ao Ministério da Cidadania – responsável por programas culturais e de desenvolvimento social no país – criar, junto com o Ministério da Economia, salas exibidoras de filmes em áreas menos urbanizadas do país. Isso será feito mediante a contratos com empresas de distribuição cinematográficas, com o intuito de que o Estado garanta o lazer e a cultura, por meio do cinema, e diminuir a precária distribuição desses locais. Só então o acesso a sétima arte no Brasil será devidamente democrático.