ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 16/11/2021

A chegada da corte portuguesa ao Brasil, foi responsável por trazer as primeiras peças teatrais ao território, as quais só poderiam ser vistas por aqueles que apresentavam certo poder financeiro. Face ao exposto, tal característica ficou enraizada na sociedade, uma vez que os espaços de projeção de obras são muitas vezes criados com o intuito de barrar certa parcela social de frequenta-lo. Diante disso, é evidente como tal estratégia de filtragem e a elitização do costume, dificultam o processo de democratização dessas localidades.

Em primeira análise, vale ressaltar que a vinda da família real ao país, trouxe inúmeras contribuições para a formação de uma identidade cultural na colônia, sendo uma delas,  a formação de locais de lazer, tais como os teatros e as bibliotecas. Por consequente, a circulação do capital, leva produtores a desejarem lucro sob trabalhos artísticos e, com isso, buscam selecionar o público apto ao consumo. Exemplo disso é a criação do termo “Enclaves Fortificados”, o qual caracteriza o processo de privatização de um estabelecimento, para que classes mais baixas deixem de frequentar o local. Assim, é explícito como a continuidade desse processo corrobora com uma inclusão ativa.

Em segunda análise, não são apenas os espaços físicos que dificultam o acesso aos meios de entretenimento, já que as parcelas sociais de maior pudor financeiro, são responsáveis pela criação de um padrão de consumo que exclue certos grupos, atitude antiética que deve ser combatida. Prova disso foi a formulação do termo “Indústria Cultural”, por Pierre Bourdieu, o qual denomina a imposição de uma cultura dominante sobre outras inferiores, o que, de modo análogo, caracteriza essa atuação excludente às minorias de baixa renda no acesso às obras cinematográficas no Brasil. Dessa maneira, é claro como tais problemas são resultantes de uma hierarquização, sendo estritamente necessário o combate de ambos.

Com isso, é possível concluir como medidas governamentais precisam ser tomadas para que o acesso aos filmes seja verdadeiramente coletivo. Para isso, torna se responsabilidade da Secretaria Especial da Cultura e o Congresso Nacional, a criação de uma lei que proíba a ocorrência de tais atitudes. Tal documento, será feito com o uso do poder Legislativo, de forma que ao ser aplicado, cinemas que ainda realizarem tais comportamentos serão penalizados por multas. Além disso, um canal telefônico, que seja anônimo, deverá ser criado para que clientes ao sofrerem ou reconhecerem tais atos discriminatórios poderão acionar os órgãos responsáveis pela criação do regulamento. Portanto, é possível democratizar o acesso ao cinema no Brasil à medida que é combatido as práticas que comprometem tal resultado.