ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 18/11/2021

A Constitução Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo sexto, o direito ao lazer como inerente a todo cidadão, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, o atual cenário brasileiro é desfavorável para essa paridade, visto que a democratização do acesso ao cinema é um problema recorrente, dificultando, deste modo, a universalização desse direito tão importante. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para nossa sociedade.

Sob esse viés, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais que venham a viabilizar o acesso à sétima arte. Desse modo, tal problema vem permeando pela sociedade e culminando em uma série de adversidades, a exemplo disso, destaca-se a drástica diminuição de pessoas que frequentam o cinema, fator atrelado ao alto custo do ingresso que está fora do orçamento popular. O que evidencia os dados divulgados pelo portal “meio mensagem”, tendo em vista que 83% da população não aproveita esse meio de comunicação. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Jhon Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o lazer, o que é evidente no país.

Faz-se mister, ainda, salientar a segmentação social como um impulsionador do problema. Pois, é perceptível que na sociedade atual as salas de cinema estão concentradas nos grandes centros urbanos, e quase exclusivamente nos shoppings. O que contribui para o não aproveitamento por parte daqueles que vivem nas zonas periféricas ou rurais. Assim como apresentou o filme “Tapete Vermelho”, mostando o drama enfrentado pelo protagonista Quinzinho para levar sua família, que morava no interior de uma pequena cidade, ao cinema com a intenção de assistir o filme do Mazzaropi - uma tradição familiar. Desse modo, percebe-se a exclusão social como um fator que contribui para a perda de costumes importantes para o povo.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem essa problemática. Logo, cabe ao Estado, conjunto de instituições políticas que administram a nação, trabalhar diretamente na raiz do problema: a cisão social. Por meio de investimentos estratégicos nas regiões com maior dificuldade para percorrer o trajeto até o cinema mais próximo. Para isso, deve-se projetar cinemas ao ar livre, a fim de que todo o povo local tenha acesso as novas e antigas dramaturgias. Feito isso, será possível que histórias como a de Quinzinho não passem de mera ficção.