ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 17/11/2021
A Constituição Federal brasileira de 1988 garante o acesso ao lazer. Porém, a população se mostra distante da realidade prometida, uma vez que os cinemas brasileiros recebem um público cada vez menor. Dessa forma, entende-se que a elitização juntamente com a segregação socioespacial, sejam obstáculos no processo de democratização do acesso ao cinema em nosso país.
Primeiramente, a revolução industrial, apesar de seus inúmeros avanços, fez com que a produção cultural seguisse os moldes industriais, tornando-a um produto de consumo. Assim, passa a possuir preços e mercados consumidores, como consequência, é elitizada. O cinema, como cultura, passa por este processo. Com os preços dos ingressos cada vez mais altos, aliados à inflação, realocam o dinheiro que poderia ser investido nessa forma de lazer. Por conseguinte, isso se torna uma entrave para a democratização desta arte.
Ademais, no Brasil, o processo de urbanização foi falho e desigual, o que gerou lugares que apresentam uma enorme quantidade de oportunidades, já outros sem nenhuma. Essa segregação, chamada por Milton Santos de “gentrificação”, fez com que a grande parcela da população, a qual não se encontra nos grandes centros, não tenha acesso ao cinema. Como consequência, o direito constitucional de acesso ao lazer não é garantido.
Desse modo, cabe ao governo, agente responsável pelo bem-estar social, a implementação de medidas para conter o avanço da desigualdade no consumo desta arte. É preciso direcionamento de capital do Tribunal de Contas da União, por intermédio da Secretaria da Cultura, para que sejam construídos novos cinemas físicos, através de parcerias público-privadas. Com isso, será possível criar um caminho para democratizar o acesso ao cinema no Brasil.