ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 18/11/2021

Charles Chaplin criticou, em suas produções cinematográficas, o modo de produção industrial da época, o Fordismo, caracterizado pela introdução da linha de montagem nas fábricas, o qual mecanizava o trabalho humano. Essas obras foram importantes não só pela possibilidade de promover uma reflexão sobre o modelo de trabalho daquele tempo e suas possíveis consequências, como também para transmitir a História de forma ilustrada para as futuras gerações. Contudo, apesar de seu papel social imprescindível, o acesso ao cinema no Brasil não é democratizado. Isso ocorre ora pela concentração das sessões em áreas elitistas, ora pelos preços altos nas bilheterias.

Em primeira análise, a construção de salas de cinemas em regiões privilegiadas causa a exclusão cultural de uma grande parcela da população. De acordo com o Artigo 6 da Constituição Cidadã de 1988, todo cidadão brasileiro tem o direito ao lazer. Entretanto, quando se nota que os grandes centros urbanos são os comumente escolhidos para a implantação de cinemas, visando somente o lucro, e sem a intervenção Estatal em relação a isso, é evidente que essa premissa constitucional não é respeitada. Tal priorização elitista prejudica a população que reside em áreas periféricas, de modo que são excluídas desse entretenimento contemporâneo.

Além disso, os preços elevados nas bilheterias contribuem para essa marginalização cultural. Isso ocorre, visto que o valor de um ingresso custa entre quinze a trinta reais. Nesse sentido, ciente de que o salário mínimo no Brasil é 1.100 reais, essa quantia se torna dispendiosa para boa parte das famílias que ainda têm que custear aluguel, alimentação e outras contas básicas a subsistência. Dessa forma, essas pessoas, por não conseguir pagar para frequentar esse espaço cultural, são afetadas negativamente, pois são impedidas de ter acesso ao mundo cinematográfico que, além do entretenimento, é muito usado como veículo de transmissão de saberes, reflexões sociais ou compartilhamento de vivências humanas, as quais podem contribuir com a formação de uma consciência coletiva saudável.

Fica evidente, portanto, que nem todos têm acesso ao cinema no Brasil. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Cultura - órgão responsável pelo sistema cultural brasileiro - garantir à população a oportunidade de frequentar um cinema, por intermédio de incentivos fiscais para o estabelecimento de telas em regiões periféricas das cidades, a fim de facilitar o acesso aos cidadãos residentes longe dos grandes centros. Ademais, cabe a esse mesmo ministério criar mais políticas de descontos na compra de ingressos de acordo com a renda, para a perfeita inclusão de toda sociedade no “mundo cinematográfico. Assim, mais produções, como as de Charles Chaplin, serão democratizadas.