ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 18/11/2021

O cinema é uma importante ferramenta, que tem o poder de entreter, de ensinar, de proporcionar experiências culturais, e essas ações possibilitadas pelo cinema são direitos garantidos constitucionalmente. Em 1975 o cinema, no Brasil, era mais democrático, por ser descentralizado, contudo com as mudanças ocorridas o cinema se tornou um ambiente segregador. Dessa forma, a democratização desse acesso é impedida, tanto por um Estado inédito, como também o desejo empresarial pelo lucro.

Primeiramente, a negligência governamental é um fator que intensifica a exclusão social no acesso ao cinema. Nesse contexto, vale ressaltar que na teoria a Constituição Federal é eficiente, mas na prática é ineficiente, uma vez que os artigos 6 e 215, que garantem o lazer e a participação na cultura, pecam em assegurar esses direitos à parcela mais pobre da população, que depende exclusivamente do governo. Dessa maneira, boa parte do povo sofre com outras necessidades mais básicas, como ter uma moradia, uma alimentação, enfim ter dignidade, que não pensam, ou melhor, são excluídos dessa ideia de ter um lazer ou uma experiência cultural dentro de uma sala de cinema. Logo, esse cenário de completo desrespeito ao cidadão brasileiro, que o excluí do acesso a esse benefício, devido a ineficácia do Estado, vai de encontro à Carta Magna de 1988.

Ademais, o rendimento financeiro é outro ponto nessa discussão. Nesse aspecto, os filósofos da escola de Frankfurt explicam como arte, a cultura, o entretenimento, perderam a autenticidade e se tornaram em uma indústria, “a sociedade do espetáculo”, em que somente o lucro é importante. Além disso, com a urbanização desordenada, é possível observar em uma mesma cidade uma separação de classes sociais, pois em algumas áreas, resultante desse crescimento, ocorreu um processo de gentrificação, segundo o geógrafo Milton Santos é a especulação do espaço, e os cinemas se concentraram nessas áreas, pois são mais atrativas para o rendimento. Assim, o acesso ao cinema, no Brasil, se tornou um luxo para os cidadãos menos favorecidos, e isso se caracteriza como exclusão social.

Portanto, os ministérios, da Cultura e da Cidadania, devem criar um projeto que fomente a cultura e o ensino por meio do cinema, com o objetivo de descentralizar e incluir os cidadãos no direito ao lazer. Para isso, esse projeto inicialmente analisará as áreas que precisam de cinemas gratuitos, e posteriormente, com verba arrecadada pelos impostos, construirão esses estabelecimentos, com o intuito de abranger a todos sem nenhuma distinção e incluí-los socialmente, tendo em vista o cumprimento dos artigos 6 e 215 da Constituição Federal.