ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 18/11/2021

A constituição de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o não democrático acesso aos cinemas, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Isso ocorre devido a negligência do Estado e causas sócio-históricas. Portanto, faz-se necessário uma análise imperiosa da problemática para, então, solucioná-la.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a falta de investimentos em infraestrutura. Isso porque, tal fator, associado ao crescimento desordenado das cidades nas ultimas décadas, provocou alterações no espaço urbano. Com isso, diversos setores, entre eles o do entreterimento, privilegiaram sua construção em áreas de alta renda dos grandes centros urbanos, os quais possuíam boa infraestrutura. Como consequência, essa centralização dos cinemas dificulta o acesso pelos moradores de periferia e pequenas cidades. Essa conjuntura, segundo as ideias do filosofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionador do problema. Historicamente, a disparidade entre classes da sociedade brasileira remonta o período colonial, onde um pequeno grupo de grandes propietários de terra detinha a maior parte das riquezas. Hodiernamente, tal quadro permanece presente, no qual se observa que a parcela mais pobre, ou seja, a maior parte da população, não consegue desfrutar dos mesmos privilégios que as outras como demonstra um gráfico no site “www.meioemensagem.com” apontando que apenas 17% da população frequenta os cinemas. Diante de tal exposto, o país não demonstra uma plena igualdade e democracia.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio de investimentos em infraestrutura e de políticas públicas, promova a desconcentração das salas de cinema e amenize a desigualdade social, a fim de democratizar o direito ao lazer. Assim, será possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.