ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Segundo Ferreira Gullar, poeta e membro imortal da Academia Brasileira de Letras, “a arte existe porque a vida não basta”. No entanto, embora exista arte, esta ainda está fora da realidade de alguns, restringindo-se à determinados grupos, sendo o acesso ao cinema, um exemplo de manifestação cultural, que, no Brasil, enquadra-se como privilégio de poucos, seja pela falta de incentivos governamentais, seja pelo preço do consumo.
Nesse contexto, a falta de investimentos, por parte do Estado, para a produção e exposição de cinema no Brasil é insuficiente para democratizar seu acesso. Pode-se ilustrar o desinteresse governamental, por este tipo de arte, pelo corte de quase 50% nas receitas destinadas à Agência Nacional de Cinema - Ancine. Dessa forma, demonstra-se que a falta de recursos é um problema central na produção e distribuição de audiovisual no país, de modo que essa escassez de verbas impacta diretamente no consumidor final, que terá menos chances de acessar cinema através de eventos gratuitos, patrocinados pela agência. Com isso, precebe-se que não há interesse do Estado em promover acesso democrático ao cinema no Brasil.
Além disso, o alto preço e a localização dos cinemas privados tornam-se uma barreira ao acesso das camadas sociais mais carentes economicamente. Além de estarem concentradas nos grandes centros, há salas de cinema com preços marcadamente abusivos, superiores à cinquenta reais por ingresso, valor que representa pouco mais de 1/20 do salário mínimo no país. Assim, nota-se que este valor é inviável para parcela significativa da população brasileira, pois 30% da população tem renda de até 1/4 do salário mínimo, segundo pesquisa realizada em 2021, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. A partir desses dados, nota-se que o impedimento ao acesso é também uma política de mercado segregadora.
Por isso, a fim de demogratizar o acesso de cinema no Brasil, é fundamental que a União, juntamente com o setor privado, fomente a produção e distribuição de cinema nacional, por meio de maiores investimentos destinados a ANCINE, com o objetivo de resguardar o seu pleno funcionamento. Ainda, é preciso que os PROCONs, agências reguladoras de proteção ao consumidor, fiscalize a incidência de preços abusivos na cobrança de ingressos para as sessões de cinema, no intuito de proteger o consumidor de cobranças ilegais. Por último, é necessário que as prefeituras montem projetos de fomento ao cinema, garantindo sessões gratuitas nas regiões em que não há exibição regular, na intenção de democratizar geograficamente o acesso ao cinema. Dessa forma, em conjunto, é possível ascender à democracia cultural.