ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/03/2022

Na obra ‘‘Utopia, do escritor Thomas More, é retratada a história de uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa, na realidade, é oposto pela teoria de More, uma vez que a democratização do acesso ao cinema no Brasil ainda apresenta deficiências em seu sistema. Nesse viés, cabe analisar e debater acerca da acessibilidade das classes econômicas mais carentes e os fatores que impedem a equidade social.

Diante disso, convém enfatizar a acessibilidade econômica, que implica o acesso dos indivíduos a redes culturais cinematográficas. De acordo com a Constituição federal, todo cidadão tem o direito a cultura. Porém, na prática,esses direitos são violados, pois o cinema categoriza o público conforme o preço de venda de ingressos. Além disso, a maior parte dos ambientes reprodutores de filmes se encontram distantes das áreas marginalizadas, o que dificulta ainda mais a democratização das diferentes classes sociais. Dessa maneira, torna-se fundamental instituir políticas públicas que revertam tal contexto.

Ademais, é preciso discutir a desigualdade social, que reflete as vivências e os costumes de cada povo e que são invisibilizados, assim, como o escritor José Saramago reflete, ‘‘a globalização é um totalitarismo que não precisa nem de camisas verdes, nem castanhas, nem suásticas. São os ricos que governam e os pobres vivem como podem’’.Sob tal ótica, percebe-se que o privilégio de ter ascensão e influência social, o qual se sobrepõe aos direitos que são considerados iguais a todos, segrega ainda mais informações e espaços ocupados. Do mesmo modo ocorre com o espaço cinematográfico. Portanto, é urgente implementar estratégias que recorram tais problemáticas.

Vê-se, por fim, a necessidade da democratização do cinema no Brasil. Para isso, o governo federal, em consonância com o Ministério da Cidadania, deve criar cartões com crédito que viabilizem o acesso ao cinema àqueles que são carentes economicamente pelo menos uma vez ao mês, por meio de cadastros feitos em sites do governo ou em prefeituras, com o objetivo de ampliar e uniformizar a frequência de diversos públicos às produções cinematográficas. Assim, será possível ter uma sociedade menos utópica e mais desenvolvida.