ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/08/2022

Cinema e democracia

No romance “Angústia”, de Graciliano Ramos, o personagem Luís, ao levar duas

mulheres ao cinema, depara-se com os altos preços dos ingessos, de modo que, ao longo da narrativa, lembra-se de tal fato inúmeras vezes, tamanha a impressão causada. Fora da ficção, pode-se fazer um paralelo com o acontecimento de Luís: a democratização do acesso ao cinema no Brasil é, muitas vezes, negada. Tal proble-

mática é causada pela concentração das salas de cinema e, também, pela falta de infraestrutura em áreas periféricas.

Em primeira análise, cabe apontar a desigualdade na distribuição de cinemató-

grafos no país. Segundo dados da Ancine, órgão que busca promover e expandir a sétima arte, o número de salas de cinema, desde 1997, mais que dobrou. Porém, tal expansão ocorreu majoritariamente em áreas privilegiadas, com alta densidade populacional e grande poder de compra, deixando, pois, muitas pessoas de regiões marginalizadas fora desse progresso.

Ademais, a falta de infraestrutura em periferias inibe a democratização. Confor-

me o IBGE, a partir da década de 70, a população urbana superou a rural e, desde então, vem crescendo demasiadamente, causando a chamada “macrocefalia urba-

na”, isto é, essas áreas circulares à região central crescem desordenadamente, de modo que a infraestrutura é negligenciada, o que faz com que as empresas de ci-

nema, por exemplo, não se instalem nessas regiões.

O governo deve, portanto, criar o projeto “cinema itinerante”, que levará, por meio de projetores e telas móveis, filmes e documentários às áreas que ficam à margem de tais artes, essa ação deverá ser feita em lugares públicos, como par-

ques, teatros e praças, visando, assim, democratizar o acesso ao cinema ao maior número de pessoas. Dessa maneira, o Brasil será um país mais igualitário e histó-

rias como as contadas por Graciliano serão menos comuns.