ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 16/08/2022

Segundo o “Contrato social”, proposto pelo contratualista John Locke, o Estado deve tomar medidas que garantam o bem-estar social. Entretanto, o pensamento de Locke é incoerente no Brasil, visto que há a falta de democratização do acesso ao cinema. Nesse sentido, é fulcral analisar o problema à luz de seus principais motivadores, seja o custeio dos ingressos, seja a ausência de infraestrutura.

Em primeira análise, destaca-se o alto valor do ingresso como corroborador da problemática. Nesse sentido, a Constituição federal de 1988 garante o lazer como direito social. Todavia, o direito previsto pela Carta Magna, se mostra privilégio das classes de maior renda, que podem arcar com o custo da entrada para o acesso às telas televisivas. Com efeito, os grupos de baixo de poder aquisitivo não são alcançados pela previsão constitucional, o que evidencia a inefetividade do Estado em cumprir a lei.

Em segunda análise, ressalta-se a falta de cinemas em áreas periféricas como fator agravante para desigualdade do acesso ao cinema. Nessa ótica, na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratado uma sociedade perfeita, na ausência de problemas sociais. Porém, a privação das obras cinematográficas, aos residentes de áreas mais pobres, torna a sociedade de More uma fantasia no Brasil. Dessa forma, a ausência de infraestrutura na periferia representa grave problema e fragiliza aquilo que Thomas caracteriza como sociedade ideal: ausência de obstáculos.

Portanto, medidas devem ser tomadas para que haja o acesso igualitário ao cinema. Para isso, cabe ao governo, através de verbas disponíveis, promover a distribuição de ingressos, uma vez ao mês, à populção de baixa renda. A fim de englobar o Brasil inteiro para o ‘‘mundo’’ das obras cinematográficas. Assim, o ‘‘Contrato social’’ será uma realidade na sociedade, visto que o Estado garantirá harmonia e bem-estar social.