ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2022
Na obra de ficção “O poço”, produzida pela Netflix são retratadas as distâncias socioeconômicas entre os 3 níveis da sociedade (os de cima, do meio e os de baixo) onde os “de cima” possuem acesso ao melhor que pode ser oferecido pelo poço (representando o Governo), em contraposição com a realidade dos “de baixo”. A realidade vivida no Brasil não é tão distante do filme, pois o acesso ao cinema não faz parte do cotidiano de uma parte da população devido a concentração das salas de cinema nas capitais, além dos elevados valores dos ingressos.
Uma em cada três salas de cinema no Brasil estão em São Paulo segundo uma pesquisa feita pelo jornal G1. Essa concentração aumenta a desigualdade no acesso ao cinema, que é peça fundamental na apresentação de diferentes culturas para a população. Portanto, essa aglomeração de salas de cinema gera uma alienação do indivíduo frente à outras realidades e contextos.
Além disso, os ingressos, em sua maioria, possuem valores elevados para uma parcela da população, pois de acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas cerca de 63 milhões de Brasileiros vivem atualmente abaixo da linha da pobreza, em outras palavras 1 em cada 3 Brasileiros não possuem acesso a esse importante meio cultural, dificultando ainda mais a aproximação e o conhecimento da outras formas de vivência, para além das suas próprias e da sua comunidade.
Portanto é necessário que as prefeituras incentivem a construção de cinemas - em regiões como a Norte e Nordeste- por meio de parcerias com empresas privadas para que o acesso ao cinema nessas regiões seja facilitado. Também é preciso que as Ong’s -organizações não governamentais- atuem na distribuição gratuita de ingressos por meio de cadastros para pessoas de baixa renda, para que o acesso ao cinema seja uma realidade para mais pessoas. Quem sabe assim, os níveis e as diferenças socioeconômicas do filme “O poço” deixem de ser realidade.