ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 26/09/2022

“A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”. A frase do educador Paulo Freire tem profundo significado quando relacionada com a falta de acesso ao cinema no Brasil, uma vez que os ingressos são inacessíveis, configurando um evento nichado, reflexo da sociedade desigual no qual o brasileiro vive. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata não só a invisibilidade das pessoas sem o acesso a Sétima Arte, mas também a omissão do estado.

Primeiramente, entende-se que a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante o direito ao lazer e à cultura. No entanto, o Estado brasileiro se mostra incapaz de tal manutenção, uma vez que, para o cinema ser acessado, deve-se desembolsar um valor surreal para o trabalhador médio. Por conseguinte, pessoas com menor poder aquisitivo buscam centrar suas despesas no que é vital: moradia e alimentação, por exemplo; neste sentido, o acesso ao lazer e a cultura deixam de ser direitos inalienáveis, mas se tornam privilégios, já que apenas parte da elite brasileira pode usufruir do sistema.

Segundamente, destaca-se que, apesar da existência das salas de cinema no Brasil, elas são mal distribuídas: ambientes que proporcionam a experiência cinematográfica estão localizados em espaços que a elite frequenta, como em shoppings e condomínios, excluindo uma parcela marginalizada da população. Relacionada com o conceito químico de solubilidade, em que o número de salas de cinema é o soluto, e a população total, o solvente; o cenário atual brasileiro configura uma solução diluida, ou seja, a quantidade de solvente é muito maior que a de soluto disponível, configurando certo desequilíbrio, uma mistura desigual.

É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater a invisibilidade apresentada. A partir disso, cabe à ANCINE encaminhar a construção de salas de cinema em regiões periféricas, além de, por meio de parcerias público-privadas com empresas como o Cinemark, a agência cinematográfica também deve promover políticas de baixos preços nos ingressos do cinema, a fim de facilitar o acesso à cultura. Essas iniciativas terão a finalidade de garantir que o tratamento digno, previsto pela Consituição Federal, deixe de ser uma utopia no Brasil.