ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/10/2022
Conforme a Constituição Federal de 1988, o Estado deve garantir a todos o exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacionais. Entretanto, tal resolução não se cumpre de forma eficaz no Brasil, uma vez que, por conta da concentração dos espaços e do alto custo para acessá-los, grande parte da população brasileira não desfruta do cinema, principal fonte difusora da cultura mundial.
Segundo pesquisas realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 98% da comunidade tupiniquim não frequenta o cinema. Isso se deve, primordialmente, à falta desses meios culturais em áreas periféricas do país, como subúrbios, cidades pequenas ou interiorizadas. Sendo assim, o acesso às exibições cinematográficas acontece de forma concentrada, restrito à parcela mais privilegiada da sociedade, o que, para Milton Santos, geógrafo e sociólogo brasileiro, impede a real democracia, visto que ela só é efetiva quando alcança a totalidade do corpo social.
Ademais, o valor do ingresso para adentrar as salas de cinema fomenta a não democratização desses espaços. O sociólogo Hebert José de Souza acredita que um país não muda pela sua política, sua econômica ou sua ciência, mas pela sua cultura. Com isso em mente, conclui-se que as fontes culturais deveriam ser ofertadas de forma gratuita. Todavia, as empresas exibidoras, que cobram altos valores no ingresso, bem como na alimentação a ser consumida - que só pode ser aquela ofertada pela própria empresa -, reforça o cinema como um produto para apenas uma parcela da população.
Dessa forma, faz-se necessárias medidas que contornem a situação. Por isso, o Ministério da Cultura, juntamente com o Governo, deve democratizar o acesso ao cinema, por meio da inauguração de espaços exibidores em áreas periféricas, bem como cobrar somente uma taxa simbólica para adentrar o espaço e consumir a alimentação. Assim, almeja-se garantir que todos tenham acesso ao cinema e à cultura no Brasil, e tornar real a resolução descrita na Constituição.