ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 07/10/2022

O filósofo Jean Sartre defendeu que o homem está condenado de maneira irrestrita aos seus direitos - a citar, o direito ao lazer. Na sociedade atual, porém, observa-se que tal ideia é falha quando se coloca em foco o acesso aos cinemas no Brasil. O alcance precário da população de baixa renda a esse meio de lazer figura uma quebra na garantia proposta pelo pensador e tem suas raízes na concentração de salas de cinema em grandes centros urbanos e na manutenção de pensamentos elitistas quanto a quais grupos deveriam ter acesso à arte.

De início, é notória a falha do governo em prover as mesmas oportunidades de lazer a áreas nobres e periféricas. A urbanização acelerada do país - que resultou na segregação socioespacial das classes sociais - somada aos investimentos para desenvolvimento do espaço urbano concentrados nas áreas mais ricas, fez com que o número de salas de cinema fosse muito maior entre as elites e menor, ou inexistente, entre a população mais pobre. Dessa maneira, o acesso a essa atividade se torna estruturalmente limitado dentro das periferias, sendo um impasse para a democratização do cinema.

Ademais, outro entrave é a manutenção de mentalidades elitistas. Para o filósofo Émile Durkhein, o fato social consiste em uma forma coletiva de agir e pensar. Nesse sentido, uma comunidade na qual a ideia de que a apreciação da arte deve ser limitada apenas às camadas mais ricas é sustentada pelo legado histórico de segregação e preconceito, tende a internalizar esse pensamento e interpretá-lo como normal e absoluto. Assim, os mais pobres são desencorajados a frequentar o cinema, por não se sentirem pertencentes a espaços como esse e é perpetuada a disparidade do acesso entre as classes sociais.

Faz-se evidente, portanto, a necessidade de reverter tal quadro. O governo, aliado ao Ministério do Turismo deve investir no desenvolvimento das perifeiras, por meio da inauguração de novas salas de cinema, para que o acesso físico a esse espaço cultural seja garantido às classes mais baixas. Ainda, as mídias sociais devem incentivar a frequentação de todos ao cinema, para combater ideologias elitistas e promover o sentimento de pertencimento. Dessa maneira, o Brasil caminhará para a universalidade efetiva de direitos, descrita por Sartre.