ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/10/2022

Segundo a Constituição brasileira de 1988, é dever do Estado garantir aos cidadãos o amplo acesso às produções culturais. No entanto, a situação atual do país mostra que a democratização do consumo de obras cinematográficas ocorre de maneira precária. Desse modo, cabe citar a insuficiência governamental e a desigualdade social como fatores que dificultam e permeiam a problemática.

Como antedito, a falta de ações por parte do governo corrobora o problema. Nesse sentido, é relevante a obra “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimenstein, que aborda a situação de não cumprimento das leis previstas em documentos oficiais. Portanto, é notória a semelhança do livro com a realidade atual do Brasil, de modo que, mesmo que assegurado na legislação, como aludido anteriormente, o acesso aos cinemas é, infelizmente, dificultado. Tal empecilho provém, sobretudo, da pouca atenção das autoridades ao tema.

Ademais, também é valido analisar a disparidade de renda como um obstáculo a tal democratização. Desse modo, é pertinente considerar o extenso passado escravista da república brasileira, que, desde a abolição da escravidão, em 1888, lida com sequelas relacionadas a assimetria monetária. Nesse contexto, o processo de periferização, decorrido das práticas racistas da época, distanciou as comunidades mais pobres dos grandes centros urbanos, temática que afeta, dentre outras coisas, a possibilidade de tais grupos frequentarem cinemas.

Mediante o exposto, é necessário que o Governo Federal incentive empresas, por meio da isenção ou diminuição de impostos ou taxas, a construir cinemas em áreas periféricas, a fim de universalizar o acesso a tais aparelhos culturais. Ainda, é importante que a tabela de preços dos ingressos seja compatível com o perfil financeiro do consumidor. Assim, a sociedade brasileira se tornará mais condizente com a Carta Magna.