ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 20/10/2022
No século XIX, com a Revolução Industrial, a tecnologia passou a permear a vida cotidiana, como ocorreu, por exemplo, com os equipamentos cinematográficos. Contudo, no Brasil, apesar da forte presença dos recursos tecnológicos audiovisuais no dia a dia, herança da época revolucionária, o acesso a modos de lazer, como o cinema, é precarizado. Tal fato deve-se aos preços altos dos ingressos e à má distribuição dos locais, o que compromete a democratização da cultura fílmica. Assim, é necessário discutir as causas e consequências do acesso desigual ao cinema, além de propor meios para promover a acessiblidade.
A priori, os altos preços dos ingressos são um dos fatores que contribuem para a desigualdade de acesso ao cinema. Dito isso, segundo a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir o bem-estar da população e direito do cidadão o contato com meios de lazer. Entretanto, as instituições de cinema como, por exemplo, a Cinermark, dispõem de valores altos de ingressos, o que desencadeia um processo de elitização do meio de propagação da cultura. Tal cenário leva à exclusão da população mais pobre do ambiente cinematográfico, o que, além de denunciar a desigualdade social presente no país, fere os direitos de lazer previstos na Constituição.
Em segunda análise, a má distribuição das localidades é outro fator que dificulta o acesso ao cinema. Nesse contexto, segundo dados do IBGE, em 2019, cerca de 70% dos centros culturais estavam concentrados nos grandes centros urbanos, fato que revela o manejo deficitário das instituições. Por conseguinte, a ausência de meios culturais em pequenas cidades, como infere-se da pesquisa estatística, impede que a população tenha acesso a um meio de informação cultural e de lazer, fato que compromete a desenvolvimento do senso crítico e afeta o bem-estar.
Em síntese, o acesso ao cinema é dificultado pela desigualdade social. Dessa forma, o Estado, órgão responsávei pelo manejo de questões coletivas, deve, por meio da articulação do Ministério da Cultura e das empresas cinematográficas, implementar um programa social de redução de preço dos ingressos, a fim de torná-los mais acessíveis à população. Dessa maneira, garante-se o amplo acesso da sociedade aos recursos culturais e democratiza-se o espaço do cinema.