ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 22/10/2022
O artigo da Constituição de 1998 - norma de maior hierarquia no sistema judiciário brasileiro - garante a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes de cultura nacional. Entretanto, a população encontra-se distante da norma constitucional, visto o baixo público nos cinemas brasileiros. Fato que se potencializa devido a grande desigualdade regional e elitização dessa atividade cultural.
Tendo em vista a má distribuição do acesso ao cinema no Brasil, pode-se afirmar que a desigualdade regional é o principal agravante no assunto. Durante o governo de Juscelino Kubitscheck, as multinacionais se instalaram no Brasil, prodominantemente nas partes sul e sudeste, o que resultou na centralização de grandes centros urbanos, sendo estes locais a preferência das indústrias cinematográficas, por possuir mais lucro. Posto isso, o acesso ao cinema para todos se encontra em uma realidade distante.
Além da desigualdade regional, outra deficiência a ser discutida é a elitização desse meio de cultura. Já dizia o filósofo Pierre Levi: “toda população cria seus excluídos”. Nesse caso não é diferente, pois, devido a centralização dos cinemas, a população de baixa renda acaba sendo excluída, visto a dificuldade de acesso aos grandes centros urbanos, e até mesmo a alta do valor dos ingressos
Conclui-se então, que o baixo público nos cinemas brasileiros está ligado diretamente aos aspectos socioespaciais, resultante da alta concentração dos centros urbanos. Sendo assim, é necessária uma ação do governo afim de criar projetos que disponibilizem telas de cinema temporárias em regiões menos favorecidas, como também implantar políticas públicas que garantam desconto nos ingressos de acordo com a classe social do indivíduo. Posto isso, o problema será amenizado e o acesso ao cinema para todos será uma realidade.