ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 03/11/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela falta de acesso ao cinema no território brasileiro é, amiudadamente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a alienação social.
A princípio, é notório que a indiligência do Estado é um grave problema. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprir sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, a situação problema continua a persistir. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Além disso, a passividade social corrobora para a permanência desse obstáculo. Posto isso, a afirmação da filósofa francesa Simone de Beavoir, “O mais escandaloso dos escândalos é se habituar a ele” pode facilmente ser aplicada a inacessibilidade do cinema no Brasil, já que mais escandalosa que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Diante de tal exposto, fica evidente que o corpo social encontra um forte alicerce na estagnação social. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar a não democratização do acesso ao cinema no Brasil. Dessarte, é preciso que o Governo invista na construção de salas de cinema nas periferias, bem como nas cidades do interior, por meio de verbas governamentais para a realização de tal, a fim de tornar o cinema acessível à todos. Espera-se, desse modo, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.