ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 03/11/2022

Thomas More, um expoente escritor inglês, retrata na obra “Utopia” uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é caracterizado pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, quando se observa as dificuldades de acesso ao cinema, por parte da populção brasielira, constata-se o oposto do que o autor expõe. Diante dessa perspectiva, convém analisar os fatores que colaboram para essa problemática social: a negligência estatal e a urbanização desenfreda.

Em primeiro lugar, é importante destacar a inoperância do Estado no que tange a acessibilidade ao cinema. Assim como afirmou Gilberto Dimenstein, na obra “Cidadãos de Papel”, a legislação brasileira não é eficaz, visto que, apesar de parecer completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Isso fica evidente pela escassez de políticas públicas eficientes voltadas para o cumprimento dos direitos ao lazer e à cultura, garantidos pela Constituição Federal. Desse modo, as poucas salas de cinema em cidades do interior e a concentração das mesmas nos grandes centros urbanos, em detrimento da periferia, revelam quem nem mesmo os direitos constitucionais foram capazes de garantir a democratização do cinema.

Ademais, é mister salientar a histórica urbanização desordenada, em especial, das maiores cidades brasileiras. Consoante a isso, é lícito destacar o governo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, o qual foi responsável por fomentar um desenvolvimento desproporcional entre as regiões, o que provocou um intenso êxodo rual e, consequentemente, o crescimento de habitações longe do centro. Diante desse contexto, lamentavemente, a população marginalizada, ainda hoje, sofre com a falta de recursos, tanto financeiros quanto estrutural e, por isso, cerca de quatro quintos dos cidadões convive com a dificuldade de acesso ao cinema.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Cultura invista na difusão da cultura, por meio de projetos de expansão do cinema, como a construção de salas em zonas rurais e periféricas, além de disponibilizar telas de transmissão ao ar livre, a fim de tornar viável o acessibilidade de diferentes parcelas da população. Desse modo, a sociedade brasileira se aproximar-se-á da Utopia descrita por More.