ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/11/2022

Em 1893, o mundo conheceu uma das obras mais relevantes para a história recente da arte: o quadro expressionista “O Grito” do pintor norueguês Edvard Munch, o qual retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura contemporânea brasileira, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pela falta de democratização ao cinema é intimamente semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a social.

Nesse viés, é fulcral citar, inicialmente, que o Poder Público é o principal catalisador da questão. A esse respeito, consoante o filósofo Zygmunt Bauman, as atuais instituições sociais não cumprem as funções mais basais, configurando-se como “mortas vivas”. Essa metáfora vai ao encontro da atuação governamental com a temática cultural, visto que, apesar de estar previsto na Constituição Federal de 1988 o direito ao lazer, o Estado se mostra negligente com essa área. A título de exemplo, cita-se que há poucas políticas públicas voltadas para transmissão de filmes em locais públicos como em Escolas e Asilos. Destarte, enquanto essa infeliz conjuntura persistir, o país continuará a sentir as consequências dela: 83% da população total sem acesso ao cinema.

Além disso, é importante abordar o papel da sociedade na permanência da problemática. Nesse contexto, de acordo com a jornalista Eliane Brum, as pessoas estão cada vez mais individualistas e, quando decidem pensar no outro, praticam o “ativismo de sofá”- termo que resume os casos em que os indivíduos acreditam ser participantes de uma causa apenas por postá-la esporadicamente nas redes sociais. A exemplo disso cabe mencionar os casos em que os cidadãos mencionam na internet suas revoltas contra o Estado, mas nem sequer contestam os gestores regionais sobre a falta de democratização do acesso ao