ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/05/2023
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Segundo o filósofo, sem a cultura e a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Dessa forma, destaca-se a importância do cinema para a construção de uma sociedade mais culta. No entanto, há ainda diversos obstáculos que impedem a democratização do acesso a esse recurso no Brasil, centrados na elitização do espaço público e causadores da insuficiência intelectual presente na sociedade. Com isso, há a necessidade de garantir o acesso do cinema para todos.
Tendo em vista a realidade acima, destaca-se a crescente desigualdade entre as classes sociais no país inteiro, o que leva a modificações no espaço. Essa visão condiz com as ideias de Henri Lefebvre, já que, para o sociólogo, o meio urbano é a manifestação de conflitos, o que pode ser relacionado à evidente segregação socioespacial dos cinemas. Nesse viés, a concentração de salas de exibição em áreas nobres está vinculada às desigualdades sociais e configura a elitização do acesso aos filmes em locais públicos em função do encarecimento dos serviços ao longo dos anos.
Outrossim, é contundente pontuar que a negligência de empresas do setor – como produtoras, distribuidoras de filmes e cinemas – também favorece a dificuldade em democratizar o acesso ao cinema no Brasil. Isso decorre, principalmente, da postura capitalista de grande parte do empresariado desse segmento, que prioriza os ganhos financeiros em detrimento do impacto cultural que o cinema pode exercer sobre uma comunidade. Consequentemente, a população de baixa renda fica impedida de frequentar esses espaços.
Portanto, fica evidente a importância do cinema para a construção de uma sociedade mais culta e a necessidade de democratização desse recurso. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura promover maior acesso ao conhecimento e ao lazer, por meio da instalação de cinemas públicos em áreas urbanas mais periféricas - que deverão possuir preços acessíveis à população local - a fim de evitar a insuficiência cultural das classes mais pobres. Assim, a sociedade poderá alcançar a plenitude da essência, de acordo com Aristóteles.