ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 18/09/2023

De acordo com Karl Marx, os fenômenos infraestruturais determinam os superestruturais, a forma que as diferentes classes sociais reproduzem sua vida material interfere diretamente na cultura. Nesse sentido, observa-se que a desigualdade no Brasil - segundo o relatório World Inequality de 2022, os cinquenta por cento mais pobres possuem somente um por cento da riqueza do país - afeta o acesso à cultura de porções da população por problemas infraestruturais derivados da urbanização e concentração fundiária. Faz-se necessário, então, analisar formas de democratiação do acesso ao cinema no Brasil como modo de reverter a alienação cultural.

Primeiramente, depois da revolução de trinta que depôs o presidente Washington Luís, o Brasil iniciou um rápido e caótico processo de industrialização, o desenvolvimentismo, que, como resultado, promoveu a urbanização sem planejamento. Isso causou grande movimentação rural-urbana e, por conseguinte, a formação de periferias ao redor dos centros industriais. Desta forma, com essa modernização das forças produtivas, houve grande concentração populacional desorganizada, o que dificultou a disseminação homogênea de novas formas de entretenimento (como o cinema) por deficiência infraestrutural.

Outrossim, um fator que acentuou o êxodo rural foi a histórica concentração fundiária no país. Desde a lei de terras que inviabilizou a ocupação de locais sem a aquisição por meio da compra, os indivíduos empobrecidos foram obrigados a vender a sua força de trabalho para latifundiários, em vez de desenvolver a própria agricultura familiar. Essa tendência, portanto, foi a causa histórica da pauperização do campo e consequente fuga para os centros urbanos, o que só aumentou a heterogeneidade da região concentrada do país.

Em síntese, verifica-se que a democratização do acesso ao cinema será efeito de melhorias infraestruturais no Brasil, suscitando mais equilíbrio populacional. Assim, o INCRA, por meio de financiamento governamental, deve ceder terras para a ocupação de famílias empobrecidas de grandes centros em direção ao campo, a fim de reduzir a periferização das cidades. A iniciativa privada, então, naturalmente poderá explorar economicamente novas regiões, ao distribuir os cinemas no país.