ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 30/10/2023

A canção “Zé ninguém”, da banda Biquíni Cavadão, faz uma crítica à conjuntura política nacional ao questionar a existência de ordem e progresso, dadas as mazelas vigentes. Em sintonia com a melodia, a pouca democratização do acesso ao cinema no Brasil configura grave obstáculo ao desenvolvimento do país, pois impede o exercício pleno da cidadania no Brasil. Essa situação adversa é reflexo da inoperância estatal, o que prejudica a universalização da cultura no país.

A princípio, cabe destacar que há falhas nas esferas do poder em relação à escassez de salas de exibição de filmes. Sob essa ótica, de acordo com o sociólogo Darcy Ribeiro, o Brasil é formado por uma grande massa populacional distribuída de maneira desigual em uma grande extensão territorial. Nesse sentido, a escassez de acesso a bens culturais em diversas localidades, fomentada pela ausência material do Estado, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, contribui para falta de democratização das produções cinematográficas, o que contraria o direito à cultura resguardado pela Constituição de 1988.

Por consequência, o baixo investimento em equipamentos de exibição de filmes obstaculiza a inserção da cultura cinematográfica. Nesse viés, segundo a Agência Nacional do Cinema, a maioria das salas de exibição da sétima arte estão concentradas em shopping centers localizados nos grandes centros urbanos. Esse cenário dificulta o acesso de milhões de brasileiros, que vivem nas periferias urbanas e nas cidades pequenas e médias do interior, a bens e serviços culturais fomentadores do desenvolvimento social e cognitivo da população. Desse modo, a insuficiência de espaços de exibição de filmes no território nacional limita a difusão do cinema no Brasil.

Portanto, cabe ao Executivo Federal - responsável pela manutenção do equilíbrio social - em parceria com os governos estaduais, municipais e a iniciativa privada, investir na construção de salas de cinema para a exibição de filmes em território nacional. Tal ação ocorrerá por meio de um replanejamento das prioridades orçamentárias, com a finalidade de proporcionar o pleno acesso à cultura cinematográfica no Brasil. Feito isso, os questionados em “Zé ninguém” serão solucionados.