ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 19/03/2025

Na obra “Utopia”, de Thomas Moore, é retratada uma sociedade em que conflitos e mazelas sociais são inexistentes. Contudo, para além da ficção, a realidade contemporânea está distante disso, haja vista os desafios para democratização de acesso ao cinema no Brasil. Nesse viés, é crucial avaliar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a ineficiência estatal e a lacuna educacional da população.

A princípio, faz-se necessário notar como a inoperância governamental constitui parte fundamental da problemática. De acordo com o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado o auxílio para o progresso do corpo social. Entretanto, o cumprimento da obrigação estatal ainda está muito aquém do ideal, uma vez que a sociedade brasileira - sobretudo moradores de regiões marginalizadas - não tem acesso fácil ao cinema. Segundo a Ancine, o Brasil carece de salas de exibição de filmes suficientes para atender toda a sua população. Isso contribui para dificultar a democratização de acesso a esse meio de cultura.

Além disso, é fundamental observar como a lacuna educacional presente no país contribui para o agravamento do cenário supracitado. O educador Paulo Freire postulou que “se sozinha a educação não consegue mudar o mundo, sem ela tampouco o mundo irá mudar”. Sob essa ótica, a baixa escolarização da população brasileira influencia diretamente no interesse pela cultura - explorado em cinemas, por exemplo. Segundo o IBGE, apenas 50% da população do Brasil completou o ensino básico. Desse modo, fica explícita a íntima relação entre a dificuldade de democratização de acesso ao cinema no país e a escolaridade.

Infere-se, portanto, que urge a resolução dos desafios citados Para tanto, cabe ao Maquinário Legislativo a criação de leis que visem a instalação de cinemas em regiões carentes do país, em conjunto com o Ministério de Infraestrutura. Dessa forma, o acesso à cultura será mais democrático. Ademais, é crucial que o Ministério da Educação crie políticas que incentivem o consumo de cultura nas escolas, por meio da realização de excursões e discussões em sala de aula, para estimular nos alunos o gosto por cinema. Fazendo isso, há de se observar no Brasil um cenário mais próximo como o descrito por Moore em “Utopia”.