ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 25/10/2025

Para Hannah Arendt, filósofa alemã, a essência dos direitos humanos consiste no “direito de ter direitos”, ou seja, a garantia mínima de cidadania e dignidade. Contudo, a realidade do estigma associado às doenças mentais contradiz esse ideal, revelando a ineficácia do Estado e o silenciamento midiático.

Nesse contexto, o Estado contribui para a perpetuação do preconceito contra indivíduos com transtornos mentais. Sob essa óptica, Émile Durkheim, renomado sociólogo francês, afirma que é dever do Estado gerenciar questões relacionadas ao progresso coletivo. Em contrapartida, o cenário atual contraria esse pensamento, devido à falta de investimento em políticas públicas de saúde mental e campanhas educativas. Enquanto o poder público não atuar nesse sentido, esse árduo panorama brasileiro não mudará.

Além disso, a falta de debates agrava o impasse em torno da saúde psicológica. Habermas — insigne sociólogo alemão — defende que a transformação social depende do diálogo. Contudo, esse princípio não é cumprido, visto que a mídia e as redes sociais raramente abordam o tema de forma crítica, devido à preferência por pautas de interesse da grande massa, o que perpetua o preconceito e limita a reflexão crítica da população. Assim, o debate ausente impede a mudança.

Portanto, cabe ao poder público intensificar os investimentos no acesso a serviços de saúde mental, sobretudo à ampliação de centros de atendimento psicológico gratuitos e campanhas nacionais de conscientização, com o objetivo de ampliar o debate público e estimular atitudes transformadoras sobre o tema. Assim, o país avançaria no enfrentamento da problemática e promoveria uma sociedade mais consciente e empática.