ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 03/11/2025

A Declaração dos Direitos Humanos, de 1948, prevê todos os direitos à igualdade e à dignidade. Porém, a concretização dessa garantia é dificultada pelo estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira. Tal cenário ocorre, em especial, devido à negligência governamental e à má formação sociocultural.

Nesse contexto, é importante destacar a insuficiência da ação estatal em relação à promoção da saúde mental. Conforme o pensador Nicolau Maquiavel, o principal objetivo do governante é a manutenção do poder, relegando a segundo plano a busca pelo bem comum. Nesse prisma, observa-se um descaso por parte do governo, com escassos investimentos em políticas públicas de saúde mental, uma vez que medidas voltadas à desestigmatização e ao cuidado de pessoas com transtornos mentais não oferecem significativo retorno eleitoral aos políticos. Isso ocorre também porque grande parte da população não enxerga a saúde mental como prioridade e, por isso, não cobram os governantes para que proponham políticas de prevenção e cuidado psicológico adequadas.

Ademais, a omissão social diante do estigma contribui significativamente para sua perpetuação. Nesse âmbito, a filosofia de Hannah Arendt, em sua teoria da “Banalidade do Mal”, sustenta que a sociedade se cala perante determinados problemas sociais, naturalizando situações problemáticas. Sob esse viés, é notória a incidência do pensamento de Arendt na situação do estigma das doenças mentais, já que a maioria da população enxerga o preconceito como algo banal ou inevitável, sendo escassas as discussões acerca desse tema no cotidiano. Com isso, há a normalização do preconceito e pouca pressão social sobre o governo para mudança desse paradigma, o que contribui para a persistência do imbróglio.

Portanto, com o objetivo de reduzir o **estigma associado às doenças mentais, é necessário que o Ministério da Saúde, órgão responsável por gerir políticas de saúde no país, destine recursos para campanhas educativas e programas de atenção psicossocial, por meio de escolas, mídias digitais e centros comunitários, a fim de informar a população, desmistificar preconceitos e ampliar o acesso a tratamentos especializados.