ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 04/11/2025

A obra audiovisual estadunidense “Coringa” narra a história de Arthur Fleck, um homem vítima de um transtorno psíquico o qual o leva a ter episódios de riso des-controlados, fazendo-o ser excluído socialmente. Nesse viés, nota-se que, na reali-dade brasileira, a narrativa ficcional torna-se coerente, sobretudo ao analisar os es-tigmas ligados às doenças mentais. Dessa forma, devem ser discutidas as causas centrais do problema: a persistência de antigos pensamentos e o individualismo.

Em primeira análise, a postura retrógrada da sociedade figura como uma das principais causas da persistência de preconceitos contra os portadores de doenças psíquicas no Brasil. Sob essa ótica, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que atende pessoas com transtornos mentais, ainda é negligenciado e visto como piada por parte da população. Essa ideia provém de forma estrutural, visto que, no século XX, os manicômios eram locais de torturas, abusos e mortes dessa minoria social — julgada como “maluca”. Consequentemente, o contexto histórico possui uma grande influência, contribuindo para a desinformação coletiva e, assim, alavancando a exclusão desse grupo minoritário.

Ademais, o individualismo é, também, uma causa dessa problemática. Diante disso, a série “Black Mirror” aborda o comportamento humano na era moderna e tecnológica, onde muitos episódios mostram como a tecnologia pode amplificar o isolamento e o individualismo nas relações humanas. A obra fictícia e a realidade brasileira vão de encontro, haja vista que as relações interpessoais são impactadas pela internet, fazendo com que a população se conecte superficialmente online e se isole de forma física. Em decorrência disso, os brasileiros não se sensibilizam pe-las questões uns dos outros — o que corrobora para os estigmas persistirem.

Logo, medidas eficazes precisam ser tomadas para resolver a problemática su-pracitada. Portanto, cabe ao Ministério da Educação — pasta encarregada por gerir o ensino no país — criar campanhas conscientizadoras, por meio de palestras nas instituições educacionais, a fim de desmistificar crenças antiquadas. Concomitante-mente, é papel da mídia ampliar a difusão de informações verídicas sobre os trans-tornos mentais. Com isso, será possível reduzir os estigmas e consolidar uma sociedade mais justa e inclusiva.