ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 29/09/2026

A obra “Eu”, do poeta pré-modernista Augusto dos Anjos, expõe a angústia existencial e o sofrimento psíquico do indivíduo diante de uma realidade hostil. Fora da literatura observa-se que o cenário lírico de desilusão se materializa na sociedade brasileira contemporânea, haja vista o estigma associado as doenças mentais, alimentado tanto pela desinformação populacional, quanto pela ausência de um tratameno adequado aos afetados. Evidenciando portanto o estado de vulnerabilidade denunciado pelo autor.

Nesse contexto, a falta de uma abordagem midiática sobre as questões psicológicos - como a depressão e ansiedade -, faz o assunto ser um tabu entre a sociedade. É perceptível então à prática da chamada “Violência Simbólica” - uma dominação invísivel proposta pelo pensador Pierre Bourdieu -, impondo valores de um grupo dominante sem o uso de força física. Diante dessa expressão, fica claro que no cenário nacional a mente é dominada pela mídia que, por não realizar uma abordagem que desmitifique o problema acaba contribuindo para a sua permanência. Por consequência desta carência, grande parte da população que necessita do sistema público de saúde, sofre com a ausência de um tratamento.

Ademais, essa escassez de informações faz com com que o governo não forneça rescursos para tratamentos psicológicos. Isso demonstra que apesar da existência do direito à saúde, há uma seletividade em quem o possui pois as barreiras constitucionais impedem que a saúde mental tenha um tratamento público acessível. Nesse sentido, o povo brasileiro sofre com a “Cidadania Multilada”, pois assim como o geógrafo Milton Santos expôs neste conceito, os direitos garantidos não se materializam de forma igualitária. Ou seja, é necessário que haja um maior engajamento de dados que possam promover o maior investimento na psique dos cidadãos multilados do Brasil.