ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
O filme “Divertidamente, da “Pixar”, retrata, mediante a personificação dos sentimentos da protagonista, as dificuldades emocionais, as quais são negligenciadas pelos pais da garota, enfrentadas por Rilley, uma adolescente que decobre que terá de se mudar e deixar seus amigos. Apesar de se tratar de uma ficção, verifica-se no Brasil um contexto semelhante, em que as doenças mentais se proliferam e, no entanto, continuam sendo estigmatizadas por grande parte da população. Nesse sentido, vale ressaltar o preconceito do corpo social brasileiro perante os transtornos psicológicos e a baixa educação sobre o assunto como catalisadores da problemática.
Em primeiro plano, é importante salientar os hábitos socioculturais dos brasileiros como propulsores da estigmatização das doenças mentais. Na teoria da tábula rasa, o filósofo iluminista, John Locke, afirma que todas as pessoas nascem como uma folha em branco, ou seja, sem senso crítico, no entanto, ao longo da vida, elas entram em contato com experiências que moldam o que irão se tornar no futuro. Dessa forma, o preconceito da sociedade perante os transtornos psiquiátricos é construído, por exemplo, em rodas de conversa, em que a pessoa com depressão é referenciada como fraca, ou quando alguém com esquizofrênia sofre, pejorativamente, a taxação de louco.
Ademais, faz-se mister salientar o pouco conhecimento do brasileiro sobre o assunto como uma barreira para a promoção de uma nova forma de se lidar com a saúde mental. Segundo William Hazlitt, escritor e crítico britânico, “O preconceito é filho da ignorância”. Desse modo, percebe-se que a consolidação do estigma na população ocorre, pois, não existe no país a implementação de um sistema de ensino que explique acerca da periculosidade e seriedade dos transtornos psiquiátricos. A exemplo disso, pode ser citada a solidificação do ambiente escolar como um lugar propício à prática de “bullying” com aqueles que têm sofrimentos psíquicos.
Enfim, é nítida a existência de percalços para que o país se torne um lugar em que é verificada a ausência da estigmatização das doenças mentais. Com esse objetivo, as redes televisivas, mediante as novelas, devem conscientizar o público acerca da melhor forma de se tratar alguém com transtornos psiquiátricos. Em adição, as escolas, por intermédio da inserção de debates sobre o assunto nas matérias de biologia e sociologia, precisam ensinar aos alunos as consequências físicas e sociais dos problemas psíquicos. Para combater o “bullying” nos colégios, os estudantes irão ouvir palestras ministradas por médicos, sociólogos e pessoas com sofrimentos psíquicos que explanarão as dificuldades enfrentadas por alguém que sofre desse tipo de doença. Logo, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade em que exemplos, como o de “Divertidamente”, permanecerão na ficção.