ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/01/2021
Durante o século XX, a psicologia passou por uma grande revolução devido à vasta obra de Sigmund Freud, considerado o fundador da psicanálise, cuja descoberta do subconsciente permitiu o tratamento de inúmeras enfermidades. Entretanto, no Brasil, ocorre um fato social intrigante, uma vez que as pessoas que recebem tratamento psicológico são estigmatizadas socialmente como “loucos” ou “doentes mentais”. Nesse sentido, convém analisar a origem desse preconceito e as causas de sua perpetuação na sociedade brasileira.
Em primeiro lugar, deve-se apontar a origem dessa estigmatização. Segundo o filósofo francês Michel Foucaut, o conceito de loucura é construído historicamente. Isso é constatado ao se observar a visão da sociedade contemporânea a respeito disso, uma vez que o “louco” passa a ser visto como um degenerado que precisa ser afastado da sociedade. Disso decorre a fatídica generalização de que todos os indivíduos que necessitam de algum tratamento psicológico especializado são “doentes mentais”. Tal percepção da realidade é deturpadíssima e deve ser combatida de imediato.
Ademais, é fundamental destacar o motivo da perpetuação dessa visão estigmatizada acerca da saúde mental. De acordo com o filósofo contratualista John Locke, o ser humano nasce como uma “tábula rasa”, isto é, todo o conjunto de crenças e opiniões de um indivíduo depende do meio em que está inserido. Analogamente, é possível perceber que a transmissão, para as crianças, do preconceito acerca da saúde mental gera um ciclo vicioso no qual essa tradição deletéria é transmitida entre as gerações. Logo, a estigmatização associada às doenças mentais na sociedade brasileira deve ser debatida urgentemente nas escolas.
Torna-se evidente, portanto, que a estigmatização no que concerne às doenças mentais é um grave problema a ser resolvido. Dessarte, cabe ao Ministério do Educação a criação de um projeto intitulado “A Importância da Saúde Mental”. Esse projeto será dividido em duas frentes, sendo a primeira relacionada à promoção de palestras, nas escolas, ministradas por psicólogos que discutam a respeito da saúde mental. A segunda frente é caracterizada pela realização de atividades interativas com o objetivo de engajar os jovens na discussão. Dessa forma, será possível “lapidar as tábulas rasas” dos jovens com a abolição dos estigmas relacionados às doenças mentais na sociedade brasileira.